As marcas do batom vinho sinalizam que ela foi minha. O céu azul sinaliza que ela já não é mais minha. Lembranças de uma noite violeta. Sua pele branca aquecia a minha. Seus olhos verdes me comiam. O vermelho do meu amor estava pelo ar. As nossas cores permaneciam em minha cabeça. Mas agora ela se foi. Descolorindo minha aquarela de vida. Meu dia se arrasta cinzentamente. Maldição! Como desejo me livrar daquelas botas marrons que a levam para longe dos meus braços amarelos! Como não queria entregar as notas laranja que a fazem deixar-me. Mergulho no meu mundo negro. Espero até que o mundo esteja negro. E volto a procurar as madeixas negras. Faço-a sonhar sonhos dourados, até que ela se entregue a mim. A noite escarlate me fazia mergulhar em um estado de graça. Mas tudo tem um fim. E mais uma vez o céu azul anunciava que eu perdera os olhos verdes.
Malditas, malditas cores. O que eu não daria para ser um cão vagabundo que se retém à sua visão preta e branca. O negro a traz, o colorido a leva. Cores! Malditas cores. Como podem ser tão perfeitas e estupidamente imperfeitas ao mesmo tempo. Pois as mesmas cores que a levam colorem a minha vida negra.
Eu escrevi esse texto numa competição de textos, e sei lá. Não gostei muito, mas to postando, até porque fazem séculos que não posto nada. Ei sei que o título ficou uma bosta, mas eu inventei agora. Anyway, espero que goste.

