sábado, 1 de outubro de 2011

Sem Título


Copos vazios, mentes vazias. Mais uma dose era o que nos despertava. O álcool enchia o cérebro, em todos os sentidos. Um sorriso amarelo foi a faísca que os nossos cérebros alcoolizados pediam para explodir.
  - Por que as pessoas são infelizes?
A voz arrastada indicava o quanto de tequila ele teria que pagar.
- O que as move? 
Ignorei-o. Normalmente, soltaria minhas filosofias baratas e inúteis. E ele as aceitaria, guardando para si toda a repulsa que lhe causava a minha falta de moral. Mas hoje, logo hoje, prendi-me à melodia de sua voz. Maldito álcool que retirava da sua voz a vivacidade e sensualidade que me causava tanta volúpia. Sua voz morta, fria, alcoolizada era apenas mais um som que me torturava. Portanto, ignorei-o.
 - Não me ouves. Por que nunca me ouves?
 - Não me prendeste com essa sua falsa preocupação com os alheios. Se a infelicidade te preocupa, entrega teu corpo a alguma outra e farás uma pessoa feliz.
 - E outra infeliz.
 - Não pense na infelicidade. Pense na felicidade.
Ele virou seu copo de tequila.  E calmamente fixou seu olhar em mim. Ignorei-o mais uma vez e tentei brincar com minha meia rasgada. De qualquer modo, sentia que brincava com a representante da minha alma.
 - Lembras como nos conhecemos?
Tentei manter a expressão desinteressada. Inútil. Sorri meu sorriso mais cálido, assim como as lembranças eram. Há um ano, há 20m de onde estamos, e 2 dg/l a mais de álcool no sangue. Mais filosofia pura e orgasmos. Menos tédio e ignorância.
 - Lembro sim. Tu estavas leve como uma pena. Diferente de hoje, gordo imundo.
Menti. Ele não estava gordo. Mas sua alma, sua alma estava pesada. 
 - Tu não. Não mudaste. Teu gosto de cereja continua o mesmo. Sim, ainda és deliciosa.
 - Teu gosto de amor mudou.
Falei seca.
 - O que sentes agora?
 - És acido. E de tão ácido, corroeste o meu eu.
 - Não te preocupe, eu guardo teus restos comigo, sempre guardarei.
 - Por que guardas?
 - Porque tu também tens meus restos.
 - Não me preocuparia em recolher teus restos, para mim é melhor que te desfaças por inteiro.
 - Curioso. Curioso.
Ele murmurou. Eu perguntei.
 - Porque ainda falas? Não tens motivo suficiente para calar-te e ir-te embora.
 - Isto é curioso. Não poderia ir embora. Só sou completo ao teu lado.
Desisti de fazê-lo me odiar. Não conseguiria. Limitei-me a pedir mais uma dose. Mente vazia é habitação do mal. Não deixaria o amor tomar-me. Não agora.
Sim, agora.
 - Não. Não é curioso.
Falei.

Esse texto tá meio louco, mas mesmo assim eu postei. Espero que gostem, e não julguem. Todo mundo já começou um dia.
Ah! e o texto está sem título mesmo. Alguém tem alguma sugestão? 
Espero que só eu tenho percebido que o texto começou bem e depois decaiu na qualidade, mas tudo bem OIDFB

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Verdade, pura verdade. O problema é que esse amor que ultrapassa barreiras já esta escasso...

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