Copos vazios, mentes vazias. Mais
uma dose era o que nos despertava. O álcool enchia o cérebro, em todos os
sentidos. Um sorriso amarelo foi a faísca que os nossos cérebros alcoolizados
pediam para explodir.
- Por que as pessoas são infelizes?
A voz arrastada indicava o quanto
de tequila ele teria que pagar.
- O que as move?
Ignorei-o. Normalmente, soltaria
minhas filosofias baratas e inúteis. E ele as aceitaria, guardando para si toda
a repulsa que lhe causava a minha falta de moral. Mas hoje, logo hoje, prendi-me
à melodia de sua voz. Maldito álcool que retirava da sua voz a vivacidade e
sensualidade que me causava tanta volúpia. Sua voz morta, fria, alcoolizada era
apenas mais um som que me torturava. Portanto, ignorei-o.
- Não me ouves. Por que nunca me ouves?
- Não me prendeste com essa sua falsa
preocupação com os alheios. Se a infelicidade te preocupa, entrega teu corpo a
alguma outra e farás uma pessoa feliz.
- E outra infeliz.
- Não pense na infelicidade. Pense na
felicidade.
Ele virou seu copo de tequila. E calmamente fixou seu olhar em mim. Ignorei-o
mais uma vez e tentei brincar com minha meia rasgada. De qualquer modo, sentia
que brincava com a representante da minha alma.
- Lembras como nos conhecemos?
Tentei manter a expressão
desinteressada. Inútil. Sorri meu sorriso mais cálido, assim como as lembranças
eram. Há um ano, há 20m de onde estamos, e 2 dg/l a mais de álcool no sangue.
Mais filosofia pura e orgasmos. Menos tédio e ignorância.
- Lembro sim. Tu estavas leve como uma pena.
Diferente de hoje, gordo imundo.
Menti. Ele não estava gordo. Mas sua alma, sua alma estava pesada.
Menti. Ele não estava gordo. Mas sua alma, sua alma estava pesada.
- Tu não. Não mudaste. Teu gosto de cereja
continua o mesmo. Sim, ainda és deliciosa.
- Teu gosto de amor mudou.
Falei seca.
- O que sentes agora?
- És acido. E de tão ácido, corroeste o meu
eu.
- Não te preocupe, eu guardo teus restos
comigo, sempre guardarei.
- Por que guardas?
- Porque tu também tens meus restos.
- Não me preocuparia em recolher teus restos,
para mim é melhor que te desfaças por inteiro.
- Curioso. Curioso.
Ele murmurou. Eu perguntei.
- Porque ainda falas? Não tens motivo
suficiente para calar-te e ir-te embora.
- Isto é curioso. Não poderia ir embora. Só
sou completo ao teu lado.
Desisti de fazê-lo me odiar. Não
conseguiria. Limitei-me a pedir mais uma dose. Mente vazia é habitação do mal.
Não deixaria o amor tomar-me. Não agora.
Sim, agora.
- Não. Não é curioso.
Falei.
Esse texto tá meio louco, mas mesmo assim eu postei. Espero que gostem, e não julguem. Todo mundo já começou um dia.
Ah! e o texto está sem título mesmo. Alguém tem alguma sugestão?
Espero que só eu tenho percebido que o texto começou bem e depois decaiu na qualidade, mas tudo bem OIDFB
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirVerdade, pura verdade. O problema é que esse amor que ultrapassa barreiras já esta escasso...
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